Naquela madrugada de 4 de janeiro 2026, o meu refúgio noturno. Eu me vi caminhando por uma cidade de arquitetura estranha, cujas ruas exalavam um ar de mistério e desorientação. Ao meu redor, uma multidão de figuras anônimas e fisionomias peculiares movia-se de forma incessante, como se fôssemos todos engrenagens de um mecanismo incompreensível.
Eu me encontrava em um plano elevado, possivelmente o topo de um edifício colossal, onde o limite entre o asfalto e o céu parecia inexistente. Sob uma chuva persistente que lavava a paisagem cinzenta, eu buscava algo — ou alguém — que não conseguia nomear. Foi nesse cenário de suspensão que a figura surgiu.
Um Sentinela sob uma capa verde-musgo. O rosto, lavado pela água, carregava a marca de uma barba rala e a palidez de quem não pertence ao mundo solar, seus olhos permaneciam ocultos, como se a própria névoa o protegesse. Não houve movimento de lábios; sua voz, no entanto, ressoou com uma clareza absoluta dentro da minha mente, como um eco inabalável e premonitório:
“Cuidado, vai ter um assalto. Cuidado, vai ter um assalto. Cuidado, vai ter um assalto.”
Despertei abruptamente com a luz da manhã, mas o peso daquela advertência não se dissolveu com o sono. O dia que se seguiu pareceu uma extensão daquela estranheza do lugar . A atmosfera familiar tornou-se densa, asfixiada por discussões que desenterraram mágoas antigas e dores que se julgavam adormecidas. Meu corpo, em uma resposta imediata ao ambiente carregado, manifestou-se através do fôlego: a asma retornou, cerceando meu ar, como se o “assalto” previsto no sonho não fosse de bens materiais, mas sim um roubo da minha própria capacidade de respirar com tranquilidade, foi.como o eco físico daquele encontro no topo do prédio. O peito apertado era o reflexo de um ambiente onde o ar se tornou escasso e as dores antigas exigiam, mais uma vez, o direito de doer e de serem finalmente vistas para que o fluxo da vida possa seguir.”
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Gosto de me expressar por meio de palavras que mostram a minha essência.
Tocar corações é minha missão de alma.
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